O Café
O que é o Café do Festival? A resposta a essa pergunta está nos bastidores das atividades do Festival Café-Caribenho no Brasil. Passando pelo Haiti, os Caribes e a diáspora, acabamos de convidá-lo para participar do Festival.
No Caribe, o café serve como uma ponte para conectar as pessoas à vida, independentemente de seus conflitos. Quando tomamos um café com alguém, nunca é apenas para matar o tempo ou conversar durante o trabalho, mas principalmente para saber das novidades do outro, para nos conhecermos, mesmo que seja a primeira vez que nos encontramos, para nos dispormos mutuamente e respeitosamente a penetrar e nos deixarmos penetrar pela humanidade que deve nos unir uns aos outros. Essa é, em parte, a grande proposta do Festival Café-Caribenho.
O cafĂ© parece sagrado. Seu aroma Ă© atraente. Sua degustação Ă© social, cultural, penetrante e universal. Na sociedade, na famĂlia, em casa, ao raiar do dia, Ă© o primeiro conceito a apanhar para se preparar para o dia “tomar o cafĂ© da manhã ». No famoso romance do Dany Laferrière, (autor haitiano/quebequense que, hoje está na Academia Francesa): “L’odeur du cafĂ©/O Cheiro do café” onde retrata o cotidiano de sua avĂł, sentada em sua galeria na Rue Lamarre, 88, em Petit-Goâve (cidadezinha onde o poeta Carlile nasceu e cresceu), ao longo do verĂŁo de 1963, oferecendo um taça de cafĂ© quente aos transeuntes, quando tinha apenas 10 anos, o autor explica-nos como a sua avĂł, ao mesmo tempo, oferecia a estas pessoas uma confidente, um ouvido, uma conversa, e para ela, uma ocupação filosĂłfica, humana e polĂtica. Nesse sentido, o autor de “O Cheiro do Café” tinha a dizer, mais tarde, numa entrevista a uma televisĂŁo no Canadá, que nĂŁo há nada mais polĂtico do que uma boa conversa com as pessoas sem interesse polĂtico. Tal O cafĂ© da Da (Da Ă© a avĂł do Dany), o CafĂ© do Festival Ă© um convite Ă humanidade atravĂ©s de intercâmbio cultural, intelectual, musical e histĂłrico, uma encruzilhada fenomenolĂłgico onde podemos dar as mĂŁos, mergulhar no universo do outro sem correr o risco de se afogar nas nossas diferenças.Â

